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Ditos e Não Ditos - By Martinha de Fátima Borba
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NÃO

18 de junho de 2019 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

O tempo do não para quase tudo na vida prejudicou o desenvolvimento autônomo de muitas gerações. Tudo era tabu, nada podia, tudo proibido, tudo censurado. Tudo castigado caso o não fosse desobedecido. Principalmente a educação das mulheres foi por muito tempo pautada pelos infinitos NÃOS.

Como dizer não ao casamento arranjado? Por exemplo. Tarefa quase impossível, salvo as moças astutas que numa noite sem lua ou enluarada fugiam na garupa do cavalo mal encilhado, mas não menos ágil, daquele violeiro ou gaiteiro, o qual o pai a advertia : ” Oi Gale porqueira, não dê confiança, minha fia, esse é louco de bagaceira.” Hoje essa fala está historicizada numa canção gaúcha.

Um desses nãos, trouxe ao Brasil, minha avó materna, Quando o galo cantou pela terceira vez, a tropa de gado já havia percorrido dezenas de léguas do estado do Uruguai.Assim era denominado, o atual Uruguai. No meio da tropa, destacava se uma mula, sem mala de garupa, sem broaca ( espécie de mala feita de couro) a montaria era um vulto, que pela vestimenta, percebia-se ser de uma mulher.

Tinha quinze anos. Ela seguiu o que o coração pediu. Se encontrou a sorte de ser feliz, não sei. Mas deixou para as mulheres da família, a coragem de dizer NÃO.

Muitas de nós, vivemos o período de repressão. As diferenças de tratamento entre mulheres e homens só aumentaram. Mulher na política? Mulher artista? NÃO. NÃO PODE.

Direito de viver plenamente a sexualidade, era restrito ao homem. Para conseguir estudar, a moça encontrava mil barreiras.Um recorrente ditado nas famílias do interior: olha fulana foi estudar na cidade, logo volta com o diploma nos braços! Era uma advertência que trazia no seu implícito, o NÃO para as relações sexuais. A metáfora diploma nos braços referia-se a possibilidade de engravidar e não conseguir concluir seus estudos.Retornava para casa, grávida, solteira e por muitas vezes sem o apoio da família, seguia seu destino incerto.

Os NÃOS acompanham a vida das mulheres. Infelizmente, a sociedade machista não escuta quando proferimos que NÃO É NÃO. Parece que nossos NÃOS são ditos, mas não são escutados.

Sigamos com coragem para fugir dos nãos que nos dizem com a intenção de coibir toda forma de liberdade e igualdade. Que encontremos uma forma de fugir. E não pode ser , seguindo qualquer tropa.

 

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Maniqueísmo do atual contexto político

28 de maio de 2019 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Mani , nome de um persa, do século III, que defendeu a ideia de categorizar as pessoas sendo elas boas com atitudes de maldade evidenciadas, sendo más com atitudes de bondade evidenciadas, por isso surgiu a palavra MANIQUEÍSMO.

O maniqueísmo vai demarcando ações do bem e do mal nas relações sociais, na politica , na religião, em todas as instâncias do poder. No micro poder e no macro poder. As antíteses ocupam lugar de destaque no maniqueísmo.

Amor e ódio. Tapas e beijos. Deus e o diabo. Ricos e pobres. Inúteis e úteis. Fracos e fortes.Bêbados e sóbrios. Capitalistas e socialistas.Analfabetos políticos e políticos analfabetos.Pretos e brancos. Crentes e ateus. Alienados e conscientes. Situação e oposição. Democracia e ditadura…(sic) continue a lista, caros leitores!!! Dependendo do contexto o mau tem atitude boa e o bom tem atitude má. De onde se espera um beijo vem um tapa e vice versa.

Homens e mulheres. Homens do bem. Mulheres do bem. Homens do mal. Mulheres do mal. Cidadãos do bem ? Quem não estiver dentro dessa última categoria está fadado a um péssimo destino. Conforme o maniqueísmo da hora…Cidadão de bem, tem arma em punho! Cristão defende tortura e pena de morte! Estudante arruaceiro faz pesquisa e é premiado …

Estive pensando como está difícil quebrar esse paradigma maniqueísta no contexto brasileiro.

Acirradas formas maniqueístas tomam conta das redes sociais. Eu sou. I am. O outro é lixo. Eu sou luxo. O outro é diabo. Eu sou anjo. Eu sou moral. O outro é amoral. EMPATIA? Desconhecem o significado. Desconhecem o efeito de sentido vital dessa palavra em todas as dimensões: pessoal e social. Enquanto isso crescem a intolerância, o preconceito, a generalização, a dogmatização, o fanatismo….

Aprender a ser empático seria uma forma de quebrar o paradigma maniqueísta que move as relações, pelo menos nas relações familiares. Nas relações de poder da esfera política, a tendência é intensificar o maniqueísmo. Viva os bons!! Viva os maus !!! “Todos juntos, misturados”

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Entre o povaréu…segue adiante o pessoalzinho!

20 de maio de 2019 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Passei a observar certos estereótipos criados a partir do uso recorrente de algumas palavras.

Numa sessão de câmara legislativa, um representante do povo se referiu à plenária presente, composta por estudantes universitários e professores , com a seguinte expressão: “ESSE POVARÉU AI”. Foi vaiado.

Povaréu rima com escarcéu. Rima com beleléu. Sem dúvidas, o nobre edis quis menosprezar as pessoas presentes. Usou um aumentativo para o substantivo povo com esse objetivo.

O sentido literal de quantidade de pessoas, que a palavra povaréu carrega, ficou preterido pelo sentido carregado de preconceito. O grau aumentativo do substantivo povo usado dessa forma, soou como uma bofetada na face dos presentes. Reação imediata. Somos de fato o povaréu. Cheios de orgulho de fazermos parte desse povaréu.

Em tempos de maniqueísmo, entre a bondade dos maus e a maldade dos bons, entre os cidadãos de bem…é ótimo sermos pertencentes à classe POVARÉU.

Diante do brado forte : povaréu… povaréu…povaréu, calou-se o orador e a plenária ratificou sua identidade genuinamente. Sem medo de demarcar na pirâmide social seu verdadeiro lugar.

Na sequência dos dias, eis que outro orador da esfera federal, dirigi-se a manifestantes de ato democrático como PESSOALZINHO. Agora chegou a vez do grau diminutivo.

A palavra”pessoal” para denominar grupos do povo, já generaliza. Imagina, a palavra pessoalzinho. O sentido usado era para diminuir a importância do ato de protesto. Ao chamar de pessoalzinho, o sentido carregado de menosprezo, não conseguiu seu intuito, pela força do atual contexto, o tal pessoalzinho era na verdade milhares…E o que era para ser “inho” foi “ão”: MULTIDÃO.

Tiranos, tremei ao ouvir o brado do pessoalzinho, do povinho, do povão, do povaréu…

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