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Ditos e Não Ditos - By Martinha de Fátima Borba
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Linguístico

Criado Mudo ou criado-mudo

1 de dezembro de 2019 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Adoro a era da informação. Na minha formação inicial dependia muito do conhecimento extremamente livresco. Não raro ouvia de pessoas próximas  a mim a seguinte fala: cuidado com o que você está aprendendo, o papel aceita tudo. Era o medo do fakenews da época.

Mas porque adoro a era da informação? Porque temos acesso a quase tudo de forma rápida, em tempo real. O que se tem que aprender é checar as informações e suas fontes que é um trabalho tão igualmente rápido. Nunca na história humana o acesso a ideias e fatos foi tão simultâneo.

Para ilustrar minha reflexão, cito um exemplo de um pequeno vídeo compartilhado no Whatsap sobre a história da palavra criado-mudo.

O vídeo revela a etimologia da palavra criado mudo. Confesso, sempre desconfio de palavras, as ditas e as não ditas. Sempre desconfiei dessa.

Eis que fiquei sabendo que a expressão, ou seja, o nome dado à mesinha de cabeceira da cama, criado-mudo existe pelo fato  que na escravidão, os senhores( cidadãos de bem) escolhiam um escravo, homem ou mulher, para servi-los nos dormitórios, enquanto os seus donos dormiam, não podiam sequer se mexer para não acordá-los. O posto requeria a condição de ficarem calados, mudos..

Ouviam conversas de seus senhores, viam cenas semelhantes a filmes não recomendados a menores de dezoito anos, mas não lhes era permitido comentar com ninguém.

Ah, os segredos da alcova !!!

Passavam a ser a câmera de monitoramento da época. Alguns se pareciam com as câmeras de baixa resolutividade, não se vê nada, só vultos. Agiam como se não vissem nem ouvissem nada.

Sabedores do castigo, certamente a maioria se mantinha calado.

No entanto, sabemos da crueldade com que os escravos eram submetidos, para garantir que de fato não dessem com a língua nos dentes, a prática brutal de cortar a língua de seus criados foi se tornando natural.

Teriam, de fato, Criado Mudo. Substantivo próprio.

Com o fim da escravidão, sai de cena o Criado Mudo, substantivo próprio, e se fabrica um móvel com a função de aparar objetos ( jarra com água, copos, velas…) que o batizaram de criado-mudo. O substantivo comum.

Um móvel denominado  criado-mudo , carregado de história de preconceito e de ódio, atravessou gerações sem que houvesse questionamento para o  uso desse vocábulo.

Ainda bem que cresci numa família que o móvel perto da cama se chamava bidê.

Achava chique. Como se diz por ai ” da hora” . Mas chique mesmo é repensar a história e negar qualquer forma racista de ser. Até mesmo um vocábulo como criado-mudo.

E nós, os Criados Mudos, que deixemos de ser mudos, antes que nos cortem o direito ao grito.

Tempo de Leitura: 2 min
Vozes

ESSA HISTÓRIA NÃO ESTÁ BEM CONTADA…

16 de outubro de 2019 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Quando criança, ouvia muito essa expressão: Ah, essa história  não está bem contada…era fala recorrente de minha mãe . Se desconfiasse de algo incoerente na narrativa, não havia dúvida que vinha outra expressão também bastante usada: vou tirar essa história a limpo. Minha mãe foi uma espécie de operação lavajato,entretanto com métodos éticos.

A história do povo brasileiro está cheia de histórias mal contadas e tampouco tiradas a limpo!!!

Histórias verdadeiras substituídas por falsas narrativas. Por falsos narradores.

A chegada do povo branco europeu na nossa terra é uma narrativa que conta uma história mal contada. Descobriram por acaso. Hábeis navegadores” se perderam e acharam ” a terra do pau brasil e de um povo pelado…Ainda se tenta tirar a limpo essa historinha…

A princesa Isabel deu um presente aos negros…han? Que história mal contada. As lutas do povo guerreiro para a libertação  não contam direito…os interesses econômicos muito menos…

O grito da Independência às margens do rio Ipiranga…que historinha bem mal contada…

E por ai vai. Proclamação da República… Revolução farroupilha? Essa me parece uma das mais mal contadas…

Morte de Jânio…de Getúlio Vargas…(…) Períodos do calaboca. Deixa que o AI5 conta!!!

E na democracia…ativistas de causas indígenas, causas ambientalistas , mulheres, gays ..infinitas  histórias interrompidas e nunca tiradas a limpo.

E na democracia  eleições com histórias mal contadas e surge outra expressão de igual valor semântico fakenews.

E na democracia, delatores com histórias mal contadas.

E na democracia, as riquezas naturais continuam sendo vendidas a preço de banana e os negócios muito mal contados…

E na democracia, juiz, vereadora, governador são assassinados e crimes não desvendados.  A caixa preta do avião  tira a história a limpo.

Na democracia, as histórias são contadas. Temos chances de tirar a limpo.

Na ditadura,  as histórias mal contadas jamais serão passadas a limpo.

Prefira as histórias mal contadas na democracia. Podemos dizer : essa história está mal contada! – Vamos tirar a limpo.

Tempo de Leitura: 1 min
Cala Boca Não Morreu

ROUBARAM-NOS

4 de outubro de 2019 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Outubro é mês que se comemora o dia das crianças e o dia da professora e do professor.

Outubro rosa. Destinado ao debate sobre a prevenção ao câncer de mama.

Tudo válido.

Porém….vou gritar: – Mercado consumista! Deixe em paz nossas crianças. Deixe em paz nossas professoras e professores. Deixe em paz nossas mulheres.

Meu interlocutor pode estranhar esse posicionamento.

Abaixo a hipocrisia.

O mercado ávido pelo lucro destina sua publicidade enaltecendo as datas. Idealizando um mundo mágico para as crianças e um mundo mascarado para as mulheres.

Homenagens são bem vindas. São merecedoras as crianças , as professoras, os professores. Não pelo mercado  consumista, ávido pelo lucro.

Vou começar a reflexão pelo OUTUBRO ROSA.

Lojas, supermercados, bancos, hospitais, clínicas, prédios públicos  iluminados de cor de rosa … por toda  parte fitinhas cor de rosa, balões cor de rosa  lembram a campanha da prevenção ao câncer de mama. Válido? É.

Só não é válido  para  as mulheres que estão numa fila de espera para realizar  o exame, porque hospitais públicos  tem a demanda maior do que os aparelhos que dispõem para atender mulheres do sistema único de saúde.

Não adianta Outubro Rosa se o financiamento do SUS está ameaçado. A existência do SUS está ameaçada. O atual governo federal já manifestou esse desejo. Já efetivou cancelamento de muitos atendimentos, reduziu outros tantos…

Mas a campanha está válida. Muito válida para as clínicas particulares. Agendas lotadas. Parece que se não se realiza o exame no mês de outubro não haverá novembro. A publicidade cumprindo seu papel. Conscientização? Ou negociação da saúde?

Outubro, mês do professor e da professora. Tribuna de políticos sendo usada para enaltecer o trabalho nobre dos professores brasileiros. Hipocrisia total. Já o mercado, nem lembra da categoria, não há promoção de carros para o dia do professor (hic)

Salários cada vez mais defasados . Parcelados. Término dos planos de carreira. Tentativas de silenciar o pensamento crítico. Trabalhar até morrer pela nova previdência. Uma profissão de risco. Em risco.

Homenagem só se aceita por parte dos estudantes . Recentemente autoridade do MEC prometeu caça aos professores. Isso mesmo caça. Ele deveria ser cassado. Se  a sociedade de fato nos  defendesse não exitaria em pedir sua demissão. Não queremos homenagens . Queremos nossa profissão, roubaram-na. Com ela, nossa dignidade.

Outubro, mês da criança. E o mercado consumista tem ai uma presa fácil.

O noticiário da economia avalia que a data 12 de outubro só perde em volume de vendas apenas para o natal. Os anúncios publicitários apresentam uma infância feliz.

Como na festa natalina, para milhares de crianças brasileiras 12 de outubro é mais uma data para demarcar um lugar nessa sociedade injusta, o lugar da exclusão.

Infelizmente, ÁGATAS não puderam se excluir da linha de tiro dos fuzis .

Senhores da governança deste Brasil, devolvam a infância plena de direitos.

Principalmente o direito de viver.

O direito de uma vida colorida. Rosa. Azul. Amarela. O arco-íris todo .

Por fim, lembro o poema de Bertolt Brechet : NÃO QUEREMOS O PEDAÇO DE PÃO, QUEREMOS O PÃO INTEIRO. NÃO QUEREMOS O REMENDO, QUEREMOS O CASACO..

Roubaram-nos.

Tempo de Leitura: 2 min
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