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Ditos e Não Ditos - By Martinha de Fátima Borba
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Em tempos de digital influencer!!!

12 de abril de 2022 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Sou da era analógica. Não estou mais lá. Ou pelo menos tento viver o aqui e o agora , a era digital.

Sair da zona de conforto é o imperativo de vida atualmente.

Não entrar na era da inteligência artificial é ser duplamente rejeitado, no meu caso primeiramente pelo etarismo, segundo pela condição de ser analógica.

No entanto, na condição de analógica tenho uma leve vantagem sobre quem é nascido na era digital. Nessa condição, é possível focar em duas direções e tempos distintos, o que facilita refletir sobre vivências díspares entre os dois tempos.

Por exemplo, no tempo analógico, a influência comportamental vinha dos pais, dos avós, dos tios, dos vizinhos, dos professores, dos padres e…alguns pastores e  de alguns políticos,” todos bem intencionados”, de raros artistas, aqueles que a mídia impressa elegia para publicitar a arte, geralmente oriundos da elite econômica e cultural. Basicamente esses atores sociais norteavam o cotidiano da sociedade.

Com o advento das redes digitais, velozmente a informação começou a circular e a quebra no paradigma da comunicação de massa foi inevitável. As pessoas começaram a produzir conteúdos. E a monetização de conteúdos encontrou um nicho de negócios inesgotável, por isso o maior influenciador dessa era digital é o monstro chamado mercado.

Refiro me ao mercado com o conhecido adágio da esfinge ” ou você me decifra, ou te devoro”.        As pessoas passaram a enfrentar a esfinge. Ao tentar influenciar deixa- se de ser somente o influenciado. Nesse jogo, abriu-se espaço para uma nova profissão, o digital influencer.

Como o patrão é o mercado, todo tipo de produto virou conteúdo. Praticamente se acirrou a guerra entre o ter e o ser.

Encontramos nas redes digitais, o digital influencer que dissemina conteúdos do amor, da paz, da saúde física e mental, do cuidado com o”‘outro” na dimensão da empatia. Entretanto, nesse mesmo espaço também se instalou o conteúdo do ódio, da intolerância pela raça, pelo gênero, pelo credo, pela condição social, pela ideologia, pela arte da periferia…tampouco os esforços que a legislação tem feito para coibir essas práticas tem tido resultado positivo.  A internet é um campo minado.                                                      Os digitais influenciadores ganham dinheiro, ficam milionários vendendo conteúdos , se especializando em marketing digital, em estratégias e relacionamentos de redes.                                                                              Não haveria problemas no novo jeito do mercado se renovar, há quem denomine nosso tempo como nova revolução tecnológica,pois evoluir é verbo presente conjugado pela humanidade desde a descoberta do fogo e da roda. O que causa estranhamento nessa evolução é a conduta desumana.

A profissão de digital influencer, como qualquer profissão, precisa de um conjunto de habilidades. Uma   delas é o acesso às ferramentas tecnológicas, bem como o domínio , coisa que as gerações digitais o fazem muito bem. Como o serviço visa público-alvo de diferentes idades, de interesses variados, há profissionais que se especializam e oferecem cursos de gerenciamento de rede sociais, de criação de conteúdos.Nem sempre a ética entra como conteúdo ou no conteúdo. Eis um problema.

Não é à toa que durante a pandemia o setor que mais empregou foi o da informática. Com o mercado exigindo novos modelos de relacionamento comercial,  o digital influencer está em alta.

Ele aparece de todas as formas, dando up na carreira artística, nas vendas de tudo o que se imaginar, ditando comportamentos. Diferentemente do” núcleo familiar influence” de antigamente, agora a influência  é sem fronteira.

E com porteiras abertas para todo tipo de conteúdo, os que edificam e os que provocam ruínas.

Nesse contexto, estão numa ponta  crianças e  jovens em formação e na outra pais e educadores com a tarefa de educar para o bem, com conteúdo do bem. Há muitas crianças digital influencer já com vida financeira resolvida, afinal nasceram na era digital.  Ótimo.                                                                                  Basta, agora, conquistarmos a democracia e a igualdade social também nesse mundo virtual.

_Tem coisas nesse mundão de Deus! Como dizia meu pai,

era digital

markusspiske 

se referindo às coisas da evolução. Caso vivo fosse, estaria completando 108 anos, sabia ele que esse mundo é mesmo mundão…

 

 

 

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Não esqueceremos

22 de março de 2022 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Vou escrever na primeira pessoa do plural: NÓS! Por um princípio que norteia minha vida, que é a força do coletivo.

Não esqueceremos. Esquecer é verbo transitivo indireto, precede a preposição DE no complemento.

Lembrei me dos textos de Guimarães Rosa, quanto de forma proposital usava o verbo esperar sem complemento para que o leitor interagisse com o autor. “Havia velhos e velhas que esperavam.”( Conto Fita verde no cabelo)

Aqui, vou usar o verbo esquecer e convidar o leitor para participar da lista de complementos que julgar necessários a suas prioridades.

Não esqueceremos do assassinato de Mariéli  Franco, uma mulher negra, vereadora no Rio de Janeiro, uma voz para os esquecidos e  que seria uma liderança nacional logo ali.

Não esqueceremos da “boiada passou”  o fogo e o desmatamento da Amazônia aumentaram com chancela de um desgoverno.

Não esqueceremos da escolha de um ministro da economia banqueiro, especulador da alta do dólar em benefício próprio e causador da fome da mãe solo e de sua família.

Não esqueceremos dos negacionistas da ciência diante de uma pandemia avassaladora, como é a covid 19.

Não esqueceremos dos censores da filosofia, da sociologia e da história.

Não esqueceremos do gabinete do ódio com sede em Brasília, instalado dentro no Planalto.

Não esqueceremos da  predileção pelas armas e não aos livros.

Não esqueceremos da censura a filmes, a exposições de arte, à cátedra do professor, à voz do jornalista.

Não esqueceremos de atitudes e falas racistas, homofóbicas, misóginas…( as fraquejadas)!!!

Não esqueceremos da mudança na legislação do mercado regulador da segurança alimentar do país, abriu-se a porteira para o mercado externo e a consequência foi a alta nos preços dos alimentos .

Não esqueceremos do preço do gás. Da mãe que queimou a madeira da cama para fazer fogueira e cozinhar para alimentar a família.

Não esqueceremos da venda das plataformas de petróleo aos especuladores estrangeiros.

Não esqueceremos das crianças, que retornaram nos últimos quatro anos, vender balas no semáforo.

Não esqueceremos da reforma trabalhista, que retirou inúmeros direitos conquistados pela classe trabalhadora.

Não esqueceremos das tentativas de golpe,  propondo o fechamento do STF  e da apologia à ditadura militar.

Não esqueceremos do uso da palavra do livro sagrado para justificar maldades.

Não esqueceremos de que somos trabalhadores explorados. Não esqueceremos do lugar que ocupamos na pirâmide social. E, é  bom não esquecermos ou fingirmos ocupar outro lugar, sob pena de sermos co-atores de um futuro muito incerto para o Brasil.

Não esqueceremos o horror da guerra, como esqueceram alguns os ímpios dirigentes da Europa.

Não esqueceremos de…

Vocês complementam.

Acrescentem no carrinho da memória. Ela move a história.

 

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O lírio da paz não quer florescer.

20 de março de 2022 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

O lírio da paz não quer florescer. A planta não reage. A folha nova que brota tem dificuldades para desabrochar. O broto da flor nem ousa aparecer. Troquei a terra, podei folhas murchas e secas, mas a planta não reage. Enrola a folha e vai murchando…para minha tristeza parece não querer reagir.

Essa planta encontrei-a , abandonada ao lado de uma lixeira, em 1° de janeiro de 2017, justamente no dia que se comemora a paz mundial.

Estava descartada, à  espera de alguém que pudesse cuidá-la. Quem abandonou-a no vaso tinha essa intenção. Deixando -a no vaso, teria mais chances de ser adotada.A planta Lírio da paz requer cuidados para se desenvolver,nem muito sol, nem muita sombra, igual a paz mundial, precisa de equilíbrio. Eu adotei o lírio da paz. Fiz um esforço físico para carregar o vaso até o elevador.

Era meu presente de ano novo. Um contentamento e um privilégio , pois quantas pessoas encontram um presente dessa magnitude no primeiro dia do ano?

A planta está comigo há cinco anos. Nesse tempo, me presenteou com  belas flores, lírios brancos, símbolo da paz.  As folhas com viço enchiam o vaso. E sua vivacidade trazia ao ambiente da sala o simbolismo da paz e da tranquilidade. Não está mais assim.

A planta parece pedir socorro. Assim está também o mundo. SOS.

Há iminência de conflito bélico mundial.

A paz mundial, tão desejada pelos povos e tão negligenciada por homens que estão no poder das grandes potências econômicas, está muito ameaçada.

Á guerra, insiste um cérebro doente, escondido num gabinete, chamar de operação militar especial. Mascara a guerra. Sufoca a paz. Os lírios da paz, espalhados pelo mundo, murcham diante de tantas maldades.

A morte, a fome, a intolerância, o ódio sufocam as chances de brotar humanidade.  Nessa terra infértil, dificilmente os brotos do lírio nascerão.

Aqui, na minha casa, tenho o compromisso de cuidar da plantinha que encontrei.

Quiçá, os homens da guerra largassem o acervo bélico  e fossem em busca da planta da paz.

Esse é um post extremamente curto. Não sei falar de guerra.

-Com licença, vou ali regar o lírio da paz.

 

 

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