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Ditos e Não Ditos - By Martinha de Fátima Borba
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O Casaco Vermelho

1 de novembro de 2021 by Marta de Fátima Borba 3 Comentários

 

O casaco vermelho é, nesse post,  o protagonista que revela uma história,  digamos, vermelha!

1970 era o ano. Eu tinha dez anos.

Inicio da mecanização das lavouras no Rio Grande do Sul.

Meu pai continuava com o plantio manual. Dedicava-se a remover as pedras de uma parte da lavoura, formando taipas e preparando o solo para ser arado com trator e poder mais tarde colher com colheitadeira. Em 1972,  comprou financiado pelo Banco do Brasil uma trilhadeira a “vencetudo” da SLC.

Foi a sensação! Vi o contentamento de meus pais e irmãos. Enfim, uma máquina para a lavoura . Esperança de obter um pouco mais de lucro com a colheita.

AH, as colheitas! Na época, a classificação do trabalhador rural da nossa região era o pequeno agricultor e e o granjeiro forte . Meu pai pertencia ao primeiro grupo. Cercado pelos lindeiros do segundo grupo. Portanto, dependia muito do maquinário deles. Precisava esperar o granjeiro colher toda sua lavoura para depois  colher a lavoura dos  pequenos agricultores. A espera era angustiante.

Presenciei muitas vezes a angústia de meu pai na iminência de perder seu produto, devido às chuvas e às enchentes frequentes. Os grãos apodreciam. As colheitadeiras, nem sempre reguladas, colhiam impurezas junto com os grãos.

As tais impurezas nos grãos era a dor de cabeça de meu pai , quando finalmente conseguia entregar a produção para dois grandes compradores, os únicos da região, temia o desconto das tais IMPUREZAS. Era o cartel do grão. Bem mais tarde surgiram as cooperativas. Rompeu o cartel. Hehehehe… criou-se outro!!!

IMPUREZAS? São elas, que farão o leitor  encontrar, nesse post, enfim, o casaco vermelho!

Terminada a colheita, produto entregue .  Meu pai ia a cavalo até o vilarejo, ou por vezes, ia de carroça puxado por dois cavalos,assim era possível levar meu irmão , que ia bem faceiro para a vila, onde ficava a loja comercial ltda. Trazia de lá, lata de querosene, saco de farinha, de açúcar e rolos de tecidos , que eram transformados em camisas pelas mãos de fada da irmã costureira.

Desta feita, volta ele com pouca coisa na mala de garupa. Cinco quilos de açúcar e um embrulho pequeno.

Sentou-se num banco rústico, que ele se dizia dono, esse é meu banco! Na sua ausência, disputávamos o assento. Lembro-me do seu rosto, nessa oportunidade, mais sério do que do costume, chamou me para seu colo. Corri faceirinha ao encontro do embrulho que ele me estendia. Abri. Era um tecido de lã,  vermelho. Aos meus olhos, pareceu vermelho brilhante.

_ É para você ! A Terezinha vai costurar um casaco bem chique!Vai precisar de forro, mas  ela ajeita um. Minha irmã Terezinha fez o casaco. O melhor casaco que já vesti em toda minha vida. O casaco vermelho.

Ouvi quando meu pai disse para minha mãe:

_ Acertei lá. Deu muita impureza nas sementes. Fiquei devendo. Trouxe o açúcar e o tecido para o casaco da Marta.

Meu pai ficou no vermelho, mas assegurou minha alegria e o abrigo para os dias de frio com o casaco vermelho. Usei-o, até as mangas encurtarem e os braços alongarem. Alongada, ficou também minha consciência.

O casaco vermelho me proporcionou a primeira tomada de consciência de classe.

A partir daí, descobri que há mais impurezas nesse mundo que se possa imaginar. Principalmente na vida dos trabalhadores desse país!

 

 

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Dizer é diferente de falar.

9 de outubro de 2021 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

“Não calar nunca, nem fazer calar” foi o lema da minha turma de formandos do curso de Letras, no ano de 1984.

1884, o ano das diretas já!! O Brasil buscava sair do braço forte da ditadura militar.

Foi um movimento popular. Teve a duração de março de 1983 até abril de 1984. Um movimento que buscou a retomada das eleições diretas para presidente do país.

A eleição direta foi carro chefe do movimento. Mas se queria muito mais que a eleição, porque eleição não é garantia de democracia. A história vem provando isso. Havia o desejo de dizer.

As décadas de 80 e 90 foram as décadas da  luta pela liberdade de expressão. Anos de muita criatividade na arte, na música, na literatura.Ops! Não nos enganemos. A supremacia branca, por exemplo, perdurou. Ainda muitas vozes de brasileiros e brasileiras continuaram caladas. Sufocadas…muita  luta pelos direitos, entre eles, o direito de  dizer.

Dizer é diferente de falar. Falar todos falam, de alguma maneira falam.

Dizer requer um sujeito histórico. Que utilize os códigos da língua, transforme -os em linguagem que por sua vez se forme através do pensamento, que depende do lugar onde está o sujeito. Vai dizer conforme sua  formação histórica.Recordo um pensamento de MIKHAIL BAKHTIN ‘ o que ocorre, de fato, é que , quando me  olho no espelho, em meus olhos olham olhos alheios; quando me olho no espelho não vejo o mundo com meus próprios olhos desde o meu interior; vejo a mim mesmo com os olhos do mundo – estou possuído pelo outro..” DIZER, portanto não é uma ação individual, embora pareça. Observo que:

Se a formação do sujeito for libertadora, o dizer será de paz e de justiça.

Se a formação do sujeito for autoritária, o dizer será certamente de preconceito e de ódio. Todavia,todo dizer jamais será um dizer neutro. Pois conforme Bakhtin o signo é ideológico.

Hoje, com o advento dos canais digitais, o dizer democratizou-se.

Ao mesmo tempo que a comunicação ficou linear, o dizer ocupou um lugar que metaforicamente se assemelha a uma pedra solta na beira de um abismo. O dizer ficou perigoso por demais.

Se ele sempre teve como premissas a responsabilidade e o compromisso com a verdade , agora então se o sujeito histórico quiser um lugar para se auto afirmar no seu direito de dizer , precisa deixar de ser papagaio repetidor , ou melhor parar de ser ” a tia do zap”     responsável pelo compartilhamento de grande parte de fake news, o que não deixa de ser a falação a que me refiro aqui. DIZER, requer antes de mais nada respeito.

Concluo, com a remissão ao lema de 84. não calar jamais, nem fazer calar, sugiro  no contexto atual, calar sim!! Se for para negar a ciência, não diga nada. Esse dizer é apenas uma fala ao vento.                                  Mas não será necessário calar nem fazer calar, se teu dizer vier recheado de bem querer ao outro…

markusspiske / 

 

 

 

 

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“Se as flores se misturam nos canteiros…os ideais também podem se misturar”

1 de outubro de 2021 by Marta de Fátima Borba 3 Comentários

ilyessuti

Ao cuidar de meu jardim, contemplei a mistura natural das plantas, algumas ostentando seus tons de verde, outras florindo com diferentes matizes, disputam espaço para brilhar, mas uma não abafa a outra . Todas acham um jeitinho de aparecer aos olhos dos passantes.

Ao pensar sobre as flores do meu jardim e, como elas “se comportam” nos canteiros, atraí para meus pensamentos a música de Marie Gabriella, composição de Leandro de Abreu Moreira, que chegou até mim através de um grupo terapêutico.

Acredito muito que o pensamento é imã para tudo o que nos acontece .

Alguns atribuem à inteligencia artificial esses eventos correlatos e simultâneos que ocorrem conosco. Já outros atribuem à física quântica. Seja o que for que   os leitores credenciem para o evento que ocorreu comigo, pensar no canteiro de flores misturadas e em seguida chegar a mensagem com a música de Marie Gabriella que se intitula Gratidão- eu agradeço, é válido.

Eis alguns versos:

Se as flores se misturam nos canteiros

Os ideais podem também se misturar

Se as cores se complementam nos desenhos

As diferenças podem se complementar…

É de tolerância o tema dos versos acima. E de respeito também.

No Brasil do momento, no seu enorme canteiro parece que os espinhos estão predominantes .

Eu sei. Sempre existiram. Para mostrar que há lugar para todos os diferentes.

Mas não ao ponto de sufocar os brotos, as flores e os frutos.

Quando um mandatário maior de uma nação diz preferir fuzil a feijão, as plantas tendem a secar.

Se o fuzil é prioridade, os brotos não vingarão.

Fuzis, igualmente a espinhos, não podem ser prioridades.

Ambos abafam o broto da vida.

O primeiro extermina. O segundo traz o alerta: viver é perigoso.

Entre fuzis, espinhos há brotos, flores e frutos.

Há quem opte pelo primeiro grupo. E ache normal um menino manusear um fuzil.

Felizmente, há muitos jardins com brotos, flores e frutos. Eu opto por esse segundo grupo. Finalizo com outros versos da canção:

“Não há melhor, não há grande nem pequeno

o que há é muito o que trabalhar

cada um fazendo o seu direito

só alegria e beleza vão brotar.”

FLORES SIM!!! ARMAS NÃO !!! Que os ideais promotores da paz se misturem.

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