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Ditos e Não Ditos - By Martinha de Fátima Borba
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Cala Boca Não Morreu•Sem categoria

Memórias de um calça curta

25 de maio de 2020 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

O período de isolamento social devido à pandemia da Covid 19 tem trazido boas lembranças.

O vinho é o melhor companheiro para bons recuerdos. Na vitrola, uma  trova de bom cancioneiro…e à memoria, vem vindo, depasito  os bons causos.

O dia é longo, a noite é ainda mais, em tempos de pandemia. Espaço fértil para as memórias.

Menino de família humilde, que cedo compreendeu o que é dar duro na vida. Assim se descreve meu amigo de parlas e copos de vinho.

Diferenciava-se pela alta habilidade de raciocínio lógico. Muito criativo. Características que o conduziram a vida toda.

Conta, com o olhar de menino levado que habita em sua alma, que sua criatividade causava ciúmes  nos primos pertencentes a famílias em melhores condições financeiras.  Era onde se destacava.

Primeiro gargalhadas. Depois  o relato.

Com o dinheiro escasso na família, escasso também era a vestimenta para os moleques.

Entre um gole de vinho e uma boa risada, meu amigo descreve a forma como lhe vestiam.

Na época, os mantimentos como arroz, feijão, farinha eram comprados em sacas de  10 kg, 15 kg. Principalmente a farinha. Comprada no moinho.

A farinha vinha num saco feito com tecido  de algodão. Nesse saco, estava impresso o nome do moinho, em letras garrafais, geralmente em vermelho forte. Espécie de carimbo: MOINHOS RIOGRANDENSES.

Para que o leitor saiba o motivo do causo ser contado entre pausas para as risadas, lá vai.

O tecido do saco de farinha era aproveitado, reutilizado na linguagem ambientalista de hoje, para calções para a gurizada, cuecas e calcinhas para os adultos.

Mas não havia sabão ou até mesmo a soda, muito usada para a lavagem de roupas, que fosse capaz de remover os letreiros.

E assim, no calção do nosso contador de histórias, ficava estampado no traseiro o logotipo  MOINHO RIOGRANDENSE.

Estava,portanto, garantida a publicidade do moinho. E gratuita…

Mais risos, quando narra o presente do padrinho: um par de botas.

Ai o traje ficou completo. De calção e botas se tornou um gaúcho.

Revela que o padrinho  pegou barbante que se costurava as bordas de sacas de estopas para medir seu pé e encaminhar as medidas ao sapateiro.

Seus olham são de um brilho intenso, quando descreve seu sentimento diante  das botas,sobre o balcão da farmácia de seu padrinho. Lá estavam elas, me esperando. Ali nascia mais um gaúcho de fato.

Nem para dormir tirava as  tais botas. Mesmo com a insistência da mãe. Aquele par de botas, é para mim, o símbolo dos passos firmes que segui pela vida a fora, completa ele , com o rosto sereno.

Mais uma taça de vinho. Mais uma memória.

” Sou da cidade de Redentora na região do alto Uruguai, no Rio Grande do Sul, Brasil.” A cidade recebia seguidamente circos. Diversão garantida para a gurizada.

Quando o circo ia embora aflorava a criatividade do  menino das calças curtas.

Montava seu próprio circo. Às meninas ficam incumbidas de cada uma trazer um lençol. A armação já estava pronta com galhos de timbós, tipo de árvore com caule relativamente mole, fácil de cortar.

Todos os números circenses devidamente imitados. Trapézio. Globo da morte. Palhaçaria. Até mesmo tourada.Ele era o apresentador. ( hoje não teme um microfone…) Para tal, trouxe um terneiro, nem sabia de qual vizinho. Resolveu montar no animal. Eis que o terneiro disparou e o circo foi ao chão.

Na vida, muitos circos são montados. Nem todos são para entretenimento.

E a conversa com o menino de calças curtas se encerrou. Para entrar na conversa, um homem preocupado com o rumo do nosso Brasil, que se parece com menino  vestindo calças marcadas. Com letreiros MADE IN CHINA. USA.

A garrafa de vinho, pousa sobre a mesa, vazia.

 

 

 

 

 

 

Tempo de Leitura: 3 min
Carpe Diem•Sem categoria

Quanto vale uma vida?

18 de maio de 2020 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Nessa pandemia mundial, a valoração da vida está no topo da cotação da bolsa de valores.

Deveria estar mas infelizmente não é verdade a assertiva acima.

Quanto vale uma vida?

Para  um neto, a vida de seus avós o valor é imensurável.

Para um filho, a vida dos  pais o valor é imensurável.

Para os pais. a vida de seus filhos o valor é imensurável.

Para os sobrinhos, a vida da tios -avós o valor é imensurável.

MAS…

Para governos nefastos, representantes do capitalismo, não tem valor nenhum.

Ficaram desmascarado os mascarados. As máscaras caíram…

Os hospitais sem estrutura adequada para salvar vidas.

Médicos formados para lucrar e não para salvar vidas.

Discursos políticos vazios.

Empresas salvando CNPJ e matando CPF…

Comunidades com mais de cem famílias sem acesso à água …

Moradias  inadequadas para o isolamento de contaminados. Idosos e crianças totalmente desprotegidos…

Populações morando nas ruas…invisíveis. E  que de uma hora para outra tornaram-se visíveis porque podem transmitir o vírus…e afundar o “titanic” mesmo para aqueles que já estejam de posse de botes salvas-vida.

Conversa fiada como ” Estamos no mesmo barco “. De jeito nenhum, titanic nos revela a verdade, não havia salvas-vida para todos.

Não há respiradores para todos.

“A vida anda junto com a morte” diz uma representante do governo federal, tentando naturalizar as mortes pela pandemia.

Passamos a Páscoa distanciados de parentes e amigos.

Passamos o dia das mães distanciados…mães sozinhas…avós sozinhas…

Como o distanciamento humano tem sido a melhor estratégia para diminuir a chance da proliferação do vírus,para os que dão crédito à ciência essa estratégia tem salvado vidas.

Porque vidas tem valor. NÃO PREÇO.

Porque vidas fazem a história da humanidade neste planeta.

E a história precisa muito da vida de seus anciãos .

Eles foram e são construtores dos pilares dessa humanidade.

Nos últimos dias, verificamos uma colheita de vidas.

Essas vidas seifadas devem servir para muitas lições.

Lições para governantes e governados.

Lições para ateus e para crentes.

Ou se aprende ou logo ali, a história se repetirá.

Essa pandemia é a chance derradeira para o mundo se reciclar.

Comecemos pela reciclagem do coração .

PublicDomainPictures 

Tempo de Leitura: 2 min
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DENTRO DE CASA

23 de março de 2020 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

As palavras se reinventam conforme o pensamento, o sentimento e ação dos sujeitos históricos que somos

2020 será o ano do reinventar.

O ano começou e foi preciso dar one stand . (uma parada).

A expressão  one stand  pode ser traduzida como parada, pausa, descanso, resistência, defesa, lugar, posição, suporte. Tem o verbo stood que significa levantar, ficar de pé, resistir, aguentar, entrar em lista de espera.

Meus leitores, escolhi a expressão da língua inglesa porque esse post tem na sua linha discursiva o cenário mundial.

O prefixo re que aparece em muitos verbos da língua portuguesa está na moda.

E não sairá tão cedo do discurso dos sujeitos.

O verbo mais usado nos últimos dias, diante da pandemia do corona vírus é o reinventar.

A ordem é reinventar um jeito de continuar vivos.

O mundo em quarentena. As cidades, na sua grande maioria, parecem cidades fantasma.

Dentro de casa. Stop na correria consumista. Stop na correria especulativa. A bolsa de valores fechou. A única vez que fechou foi em 1927…  tapa na cara: pleft no capital explorador…

Dentro de casa. Mas não é simples volta pra casa. A casa planeta estava prestes a ruir.

Chegada a hora de fechar um pouco suas portas.

Diminuir a emissão de gases na atmosfera. Pararam os carros. Aviões. Navios. Metrôs……O dia que a terra parou…grande Raul SEIXAS.

Errou ele. Não está sendo um dia apenas. Muitos dias de portas fechadas.

Mãe Terra ordenou: STOP. Quero respirar melhor.

Dentro de casa. Praias livres de bitucas de cigarros enterradas na areia, ato que é feito de forma disfarçada quando ninguém está olhando. Mas a mãe terra recebeu tantos presentes nefastos que deu one stand.

Praias livres para os golfinhos chegarem bem pertinho da faixa de areia…para os siris com seus olhinhos esbugalhados espiarem  a vontade e correrem livres junto com as tartaruguinhas. Livres da patas do animal humano feio e feroz.

Animal humano feio e feroz ,agora, recuado por um inimigo criado por ele,um inimigo invisível que está forçando recuar e ficar fechado. STOP para esse excesso de humanidade. Burra. Insensível.

Dentro de casa. Refazendo. Reconstruindo jeitos. Ressignificando  sentimentos.

Dentro de casa, foi o jeito que a matriz divina achou para reconstruir o planeta terra, uma das suas maiores criações.

Dentro de casa, o humano feio e feroz precisa refazer as lições.

Dentro de casa relendo sua própria história.

Dentro de casa relendo textos como esse :Isaías 26,20,Vem, povo meu, entra nas tuas casas, e fecha as tuas portas sobre ti,esconde-te só por um momento, até que passe a praga .

Dentro de casa ouvindo uma música de sucesso atual “Quem beijou, beijou, agora não beija mais…quem pegou, pegou, agora não pega mais…

Dentro de casa. Conectados pelas redes sociais. Distanciados fisicamente. Era isso que mais acontecia dentro das casas. Agora, estamos juntos e separados. Um bichinho invisível nos separou.

Antes da pandemia do novo corona vírus , dentro e fora de nossas casas sempre existiu pandemia sem mídia. Mas semelhante. A pandemia do capital  explorador e gerador de preconceitos de egoísmo, de ódio, de intolerância, de arrogância…

Dentro e fora de nossas casas esse vírus do capital continua resistente.

Não se mexe nas grandes riquezas e lucros. Ataca quem tem pouco ou nada.

Dentro de casa. Recomeçando. Por onde? Por dentro.

Dentro de casa. Dentro do casebre. Dentro da casinha. Dentro da mansão. Mas, sobretudo, dentro se si mesmo,

StockSnap / 

humano feio e feroz dê stop para tua maldade.

Entre, humano feio e feroz, no quartinho chamado coração e recomece por ai.

Tempo de Leitura: 3 min
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