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Ditos e Não Ditos - By Martinha de Fátima Borba
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Acolhimento

7 de fevereiro de 2026 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Acolher.

Verbo derivado do substantivo colher? (utensílio usado na cozinha)Penso que não. Pelo menos, não no sentido da etimologia.

A imagem da colher, usada para nos alimentar, remete à um lugar semelhante  ao útero, órgão que abriga as vidas. Abrigo. Acolhimento. Proteção.Afeto. Paz.

Acolher verbo sinônimo de proteger. De cuidar.

Acolher colocar em sentimento de segurança.

Acolhimento remete a abraço quase que imperceptível, aquele abraço que suaviza as dores não ditas, mas que estão no âmago da alma.

Acolher! Remissão aos ninhos dos pássaros, quase todos  são em forma de concha, de colher.

Preparado minuciosamente para receber os filhotes. Acolhimento faz parte do planejamento familiar.

Todo animal procura o melhor lugar para acolher filhotes. Porque esses, ainda, precisam de muita proteção para que possam se fortalecer diante do mundão a sua frente.

Eita mundão !! Enfrentá lo com segurança se faz necessário encontrar acolhimento.

A  constituição brasileira apresenta nos primeiros parágrafos o cuidado, o acolhimento aos cidadãos: sobre as crianças ” é dever da família e do estado assegurar  cuidados, acolhimentos às crianças, aos jovens, aos idosos…” a todos  que estejam em situação vulnerável.

Família acolhe? Nem sempre.

Estado acolhe? Nem sempre. Ou nunca.

Ainda bem que há muitos jeitos e formas de colheres na cozinha e no mundão!!

 

 

 

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Os poemas. O segundo olhar.

17 de janeiro de 2026 by Marta de Fátima Borba 1 comentário

Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo

como de um alçapão.

Eles não tem pouso nem porto.

alimentam-se um instante  em cada par de mãos

e partem.

E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

no maravilhado espanto de saberes

que o alimento deles já estava em ti…

MÁRIO QUINTANA – POETA GAÚCHO

henry51055 /

Tempo de Leitura: 1 min
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“Eu vou ai e te charqueio.” “Ajoelha e chora “

5 de janeiro de 2026 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Charque ? No contexto brasileiro quer dizer carne seca, jabar ou carne de sol.

A técnica consiste em salgar  e empilhar ou dispor ao sol para desidratar, assim, se conserva por bastante tempo a carne bovina para consumo.

Para o preparo é necessário ferver bastante para retirar o excesso de sal.

Charquear é cortar a carne dividir em pedaços, salgar , secar ao sol e por último dessalgar em água fervente.

Buenas, quando ouço um homem gritar com uma mulher:

-Eu vou ai e te charqueio !!!!

A descrição que fiz acerca do preparo da carne de sol vem imediatamente à memória.

É isso. A mulher para esse homem merece ser cortada, salgada, fervida, queimada, secada ao sol, arrastada…mutilada…morta.

Os fatos, estatisticamente , revelam essas atrocidades praticadas pelo crime de feminicídio no Brasil.

Ah, mas é só uma expressão dita numa DR.

Ah, a letra da música não tem semântica de violência!!!

E assim o imaginário dos ditos patriarcais se perpetuam.

” agora, tu vai ver “marvada”

tava cansado de me fazer de bonzinho

te chamando de benzinho e de patroa

esta marvada me usava e me esnobava

e judiava muito de minha pessoa

endureci e resolvi bancar o machão

ai ficou bem bom agora é do meu jeito

de hoje em diante sempre que eu te chamar

acho bom você se”ajoeia”  e me trata com respeito

ajoelha e chora ajoelha e chora

quanto mais eu passo o laço, muito mais ela me adora

ajoelha e chora, oi, ajoelha e chora

quanto mais eu passo o laço, muito mais ela me adora

mas o efeito de remédio que eu dei

foi melhor do que eu pensei, ela faz o que eu quiser

me lava a roupa, lava os pratos e cuida DOS FILHOS

anda nos trilhos, garro preço essa muié

faz cafuné, me abraça com carinho

me chama de docinho, comecei a me preocupar

eu to achando que esta mulher danada

ficou mal acostumada e tá gostando de apanhar

ajoelha e chora, ajoelha e chora

quanto mais eu passo o laço mais ela me adora…

Senti náuseas ao digitar essa letra de música estilo gauchesca.

Apologia explícita à violência feminina.

Em tempos de rever discursos misóginos, essa letra e música, já passou da hora do ministério público, das delegacias de mulheres tomarem uma atitude.

A música é arte. Deve  estar a serviço do bem estar social.

Não é arte quando ratifica comportamento social violento.

O pulso ainda pulsa.

O pensamento ainda pensa.

Fica o convite, pense!!!

 

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