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Ditos e Não Ditos - By Martinha de Fátima Borba
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Cala Boca Não Morreu

Divando aos 78 anos de idade

12 de janeiro de 2026 by Marta de Fátima Borba 1 comentário

Ela nunca havia assistido um filme até o final, nunca tinha ido ao cinema.

Uma mulher nordestina, costureira, artesã. E agora atriz.

Tãnia Maria, seu nome artístico, virou revelação do cinema brasileiro.

Agora, conhecida por atriz brasileira, com filme premiado, como melhor filme de Língua não inglesa, no festival globo de ouro, a apresentação da mulher Sebastiana Maria de Medeiros Filha mudou, natural de Parelhas,cidade do interior do Rio Grande do Norte, passa ser denominada atriz Tânia Maria, costureira, artesã e tudo mais o que ela quiser ser.

Tânia Maria!

Milhares de Tânias Marias há nesse chão brasileiro.

Brasileiras com potencial , com habilidades e competências  negligenciadas pela falta de oportunidades reais de desenvolvimento pessoal.

O país perde sua maior riqueza,que é o capital humano, quando governos não aplicam os recursos financeiros na educação.

Há intencionalidade.

Sempre foi  a intenção de manter o povo longe dos bens culturais.

Salas de cinemas são inexistentes nas maiorias das cidades.

No contexto atual, há um agravante, uma parcela bem significativa do povo, nega a cultura como um bem necessário para formação de crianças e  de jovens.

A cultura é coisa satânica. Afastem se da literatura! Queimem livros ! Quebrem o aparelho de TV!

Recentemente, assistia culto evangélico, quando o pastor passou a criticar leituras, fora  leitura bíblica, começou citando Paulo Freire e interpelou seu filho, na assistência, para que citasse outros, o que ele fez, citou Augusto Cury, Karl Marx…

Entendi o recado.

Não foi de Deus.

E os exemplos de ataque aos artistas engajados com a cultura libertária, de consciência de classe social estão explícitos nas mídias digitais.

Precisamos multiplicar Tânia Maria. Wagner Moura. Cineasta Kleber Mendonça Filho…

O cinema é memória.

O cinema é história.

O cinema é resistência.

A arte liberta.

Voa deusa Tânia Maria. Divando aos 78 anos!!!

 

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A era do desapego

26 de dezembro de 2021 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Lembrei, hoje, por conta da data natalina,o quarto mandamento  do catolicismo: honrar pai e mãe. Um ensinamento. Nem sempre um aprendizado.

Honra é uma palavra carregadinha de sentidos. Cheia de sentimentos. Nela cabe respeito, admiração, gratidão, reconhecimento, amizade, amor.

Aos pais cabe exercitar a honradez para que os filhos herdem sentimentos edificantes. No entanto, nem sempre é possível. Há pais que se perdem nesse ensinamento. Há filhos que fogem do aprendizado.

Escrevo sobre honrar pai e mãe, porque terapeutas da vez, os da teologia da prosperidade, propagam a máxima de que” nossos pais, avós, antepassados, todos nos passaram crenças limitantes.

Após essa afirmação, vem logo uma frase com um sentido de desculpas, mas olha era o que eles compreendiam naquele momento, é preciso ler o contexto atual. Fazer diferente. Pensar diferente.Trocar a mentalidade. Ok. Até ai tudo bem.

O ruim é que vão além. Se for preciso se afaste. Desapegue.

Claro, depois de criados. Fica fácil se afastar dos pais. Desapegar.

É a lógica do mercado: desapegar.

Desapegar foi parar nas sessões de terapia. Vale para tudo. Não acumular objetos, roupas, sapatos, bolsas….e gente. Gente!!!

De tanto desapego, há multidões vivendo na solidão.

Com tantos apelos pelo tal de desapego que a tarefa se tornou fácil.

Fácil para filhos.

Nunca para os pais.

Jamais para a mãe.

 

 

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Memórias de um calça curta

25 de maio de 2020 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

O período de isolamento social devido à pandemia da Covid 19 tem trazido boas lembranças.

O vinho é o melhor companheiro para bons recuerdos. Na vitrola, uma  trova de bom cancioneiro…e à memoria, vem vindo, depasito  os bons causos.

O dia é longo, a noite é ainda mais, em tempos de pandemia. Espaço fértil para as memórias.

Menino de família humilde, que cedo compreendeu o que é dar duro na vida. Assim se descreve meu amigo de parlas e copos de vinho.

Diferenciava-se pela alta habilidade de raciocínio lógico. Muito criativo. Características que o conduziram a vida toda.

Conta, com o olhar de menino levado que habita em sua alma, que sua criatividade causava ciúmes  nos primos pertencentes a famílias em melhores condições financeiras.  Era onde se destacava.

Primeiro gargalhadas. Depois  o relato.

Com o dinheiro escasso na família, escasso também era a vestimenta para os moleques.

Entre um gole de vinho e uma boa risada, meu amigo descreve a forma como lhe vestiam.

Na época, os mantimentos como arroz, feijão, farinha eram comprados em sacas de  10 kg, 15 kg. Principalmente a farinha. Comprada no moinho.

A farinha vinha num saco feito com tecido  de algodão. Nesse saco, estava impresso o nome do moinho, em letras garrafais, geralmente em vermelho forte. Espécie de carimbo: MOINHOS RIOGRANDENSES.

Para que o leitor saiba o motivo do causo ser contado entre pausas para as risadas, lá vai.

O tecido do saco de farinha era aproveitado, reutilizado na linguagem ambientalista de hoje, para calções para a gurizada, cuecas e calcinhas para os adultos.

Mas não havia sabão ou até mesmo a soda, muito usada para a lavagem de roupas, que fosse capaz de remover os letreiros.

E assim, no calção do nosso contador de histórias, ficava estampado no traseiro o logotipo  MOINHO RIOGRANDENSE.

Estava,portanto, garantida a publicidade do moinho. E gratuita…

Mais risos, quando narra o presente do padrinho: um par de botas.

Ai o traje ficou completo. De calção e botas se tornou um gaúcho.

Revela que o padrinho  pegou barbante que se costurava as bordas de sacas de estopas para medir seu pé e encaminhar as medidas ao sapateiro.

Seus olham são de um brilho intenso, quando descreve seu sentimento diante  das botas,sobre o balcão da farmácia de seu padrinho. Lá estavam elas, me esperando. Ali nascia mais um gaúcho de fato.

Nem para dormir tirava as  tais botas. Mesmo com a insistência da mãe. Aquele par de botas, é para mim, o símbolo dos passos firmes que segui pela vida a fora, completa ele , com o rosto sereno.

Mais uma taça de vinho. Mais uma memória.

” Sou da cidade de Redentora na região do alto Uruguai, no Rio Grande do Sul, Brasil.” A cidade recebia seguidamente circos. Diversão garantida para a gurizada.

Quando o circo ia embora aflorava a criatividade do  menino das calças curtas.

Montava seu próprio circo. Às meninas ficam incumbidas de cada uma trazer um lençol. A armação já estava pronta com galhos de timbós, tipo de árvore com caule relativamente mole, fácil de cortar.

Todos os números circenses devidamente imitados. Trapézio. Globo da morte. Palhaçaria. Até mesmo tourada.Ele era o apresentador. ( hoje não teme um microfone…) Para tal, trouxe um terneiro, nem sabia de qual vizinho. Resolveu montar no animal. Eis que o terneiro disparou e o circo foi ao chão.

Na vida, muitos circos são montados. Nem todos são para entretenimento.

E a conversa com o menino de calças curtas se encerrou. Para entrar na conversa, um homem preocupado com o rumo do nosso Brasil, que se parece com menino  vestindo calças marcadas. Com letreiros MADE IN CHINA. USA.

A garrafa de vinho, pousa sobre a mesa, vazia.

 

 

 

 

 

 

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