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T u d o a v e r.
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T u d o a v e r.
Assistindo ao noticiário matinal de tv aberta, notícia sobre refugiados da Índia que aguardam há dias, no aeroporto de Guarulhos (São Paulo), o visto de permanência no solo brasileiro, ocorreu me de escrever sobre o valor de um teto. De um abrigo para os dias de frio, para os dias de calor. E para todos os dias o abrigo em um lar. Para todos os dias se fazer cumprir o direito à moradia, à cidadania.
O que representa para todo ser vivo um teto? Abrigo. Proteção.
Seja uma toca ou seja a copa de uma árvore, animais e aves procuram um lugar seguro para descansar.O ser humano ao sair da caverna, criou milhares formas de se abrigar. A disputa pelas melhores cavernas só aumentou.
A migração e a imigração se consolidaram na história dos humanos.
A edificações foram se aprimorando. Teto para todos? Não. Lar para todos? Não.
Há poucos dias, participei de plenária sobre educação e, em se tratando de política educacional todas as outras políticas públicas atravessam o tema, principalmente a habitação. Eis que a coordenadora do encontro apresentou importantes dados sobre o município ( a saber, estamos em ano de eleições municipais) e um dado se referia às *moradias sub normais.
Mudou de denominação, de novo, as conhecidas favelas.
Favela é uma planta que recobria alguns morros do Rio de Janeiro no século dezoito. Com forte perseguição, por autoridades da época da decadência do ciclo do café, aos cortiços formados pelos ex trabalhadores das plantações de café, sem outra alternativas a população começou ocupar os morros. Abrigaram se sob a sombra das tais árvores favelas. Surgiu ai o nome favelados. A história registra em 1893, só na demolição do cortiço chamado cabeça de porco foram desalojados mais de 2 mil pessoas que foram morar no morro da providência. Também se registra o retorno de cerca de 20 mil soldados, ao Rio de Janeiro, após término da guerra de canudos e foram morar no morro.
Estima se que há no Brasil cerca de 11,4 MILHÕES DE PESSOAS( seis por cento da população) morando em sub moradias. Recentemente, denominadas moradias sub normais.
A ocupação desigual dos espaços urbanos não combina com o Estado Democrático Brasileiro, aliás nada combina, referente à conquista de cidadania plena de direitos.
Ao povo trabalhador é destinado o morro, a encosta, a ilha, a beira dos trilhos. É mesmo para dificultar a vida dos sujeitos.
Em maio deste ano 2024, o maior evento climático do RS , choveu muito e as enchentes dos rios destruíram milhares de casas, contribuindo para desabrigar de vez os gaúchos das estatísticas das moradias sub normais.
Cá, penso eu, sub normal é o povo deixar seu teto sob bombas da guerra, sob o estigma da fome , sob a ganância do capital especulativo imobiliário, sob a negligência com a ciência, sob os maus tratos com os biomas…Sub normal é querer imprimir um novo normal para os povos: sem teto, sem lar.

sub normal? pra quem?
2024. A conta chegou para os gaúchos.
Os boletos começaram a serem emitidos há décadas.
Eles foram ignorados.
Alguns protestados.
Algumas punições e multas pagas.
Ficamos no vermelho.
Os créditos venceram.
A tragédia climática ou drama anunciado, no sul do Brasil, no Rio Grande do Sul, deixou 1. 476.170 pessoas desabrigadas.
Dos 497 municípios, 425 foram atingidos por temporais e enchentes avassaladores.
Cidades inteiras foram destruídas, varridas do mapa. Casas, fábricas, lavouras devastadas.
Fauna e flora do ambiente inteiro gerou literalmente o ” meio ambiente”…A fúria das águas levou pontes, estradas, destruiu os caminhos, forçou os humanos trilhar caminhos da solidariedade sob pena de serem extintos como as pontes.
A fúria das águas deixou um recado da natureza em letreiros gigantes STOP. PARE.
A capital Porto Alegre deixou de ser alegre. Stop para o aeroporto. Stop para a rodoviária. Virou uma grande ilha.
Mansões e casebres não foram poupados. Ricos, pobres, miseráveis, balançou a pirâmide social!
Governantes e governados, ambientalistas, cientistas, especialistas e negacionistas atingidos.
Atingidos, EGOS E SUPEREGOS!
Os defensores do Estado mínimo bradaram pela presença dos agentes públicos.
Constatação: o Estado forte , competente, capacitado se fez necessário.
A companhia de água e esgoto (CORSAN) recém privatizada mostrou a falta de investimento na política pública de saneamento. As águas que invadiram as ruas e as casas em 2024 não tinham a coloração das águas do evento de 1941, agora totalmente poluídas pelo esgoto não tratado.
A população ficou a mercê de sua própria poluição, do lixo produzido pelo consumismo desenfreado e de seu individualismo maléfico.
Foi necessário bombeiros, policiais, agentes públicos de toda a máquina pública gaúcha e de todos os outros entes federados, voluntários de todos os lugares, inclusive internacional e não foi possível salvar todas as vidas .
Os defensores do Estado mínimo precisarão rever o conceito dessa política nefasta. É um bom momento para rever políticas públicas. É a chance de estudar quais políticas amenizarão os efeitos dos futuros eventos climáticos, os quais,os cientistas afirmam serão constantes.
Cá estou, a refletir sobre a política dos agrotóxicos.
As águas lavaram o solo.
É como a Mãe-Terra dissesse:
_ Revejam o tratamento prescrito a mim!
