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Ditos e Não Ditos - By Martinha de Fátima Borba
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Cala Boca Não Morreu

Pele resistência feminina

7 de março de 2020 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Toda censura é nociva.

Alguém poderia dizer então vamos todos andar nus por ai….

Three-shots /

Justamente quando passamos a vestir trapos sob os corpos, demos início à censura imensuravelmente .

A censura se veste de muitas formas, de muitos estilos.

Não é o fato de andar nu que causaria tanto escárnio na atual realidade , principalmente no Brasil.

Uma das vestes mais censuradas é a pele que reveste o esqueleto do homem negro, da mulher negra, da criança e do adolescente negros.

Uma das vestes mais censuradas ainda é a pele feminina.

A pele coberta por um vestido merece ganhar menos, mesmo qualificada tanto quanto ganha aquele que se veste com com terno e gravata.

A pele coberta por um shortinho  não merece respeito.

A pele  que reveste os seios do leite sagrado e que alimenta todo ser, recebe  censura.

Corpo, rosto, olhos e alma censurados por um tecido chamado burca.

Pele do rosto enrugada pelo trabalho sol a sol. Pele das mãos manchadas pelos produtos de limpeza e calejada pelas dores do mundo…como são censuradas. Jamais terão  participação no catálogo de produtos de beleza. CENSURADAS.

Sem unhas pintadas. Sem perfume e creme importados. Com cabelos mal pintados. Censuradas.

Censuradas no elevador social.

Censuradas nas universidades.

Censuradas na política e na economia.

Censuradas na pirâmide social.

Censuradas por ter a ousadia de gerar vidas. Ou seria invejadas? Por isso melhor mantê-las fora do comando. Censura à entrada e ao acesso das instâncias de poder.

À pele feminina, toda censura possível.

No entanto, a pele feminina é a própria resistência.

É a pele de Marias. De Marieles. De Anitas. De Fridas.  De Chicas da Silva. De Chiquinhas Gonzaga.  De Joanas .  É a tua pele. É a minha pele. É  a pele de minhas amigas. É a pele de minhas irmãs. Peles  que se revestem da força e textura da resistência a toda  forma de censura .

Neste 8 de março, dia internacional da mulher,  nossa pele resistência feminina  rejeita a flor ofertada sem respeito e sem amor .

#nãoénão   

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Tempo de Leitura: 1 min
Carpe Diem•Sem categoria

Qual é sua essência?

3 de março de 2020 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Essência é a base. É o fundamento. É a raiz. É a  semente.  É  a parte que gera o todo.  É a divisão do átomo. Invisível, por vezes.

  • Qual é a sua essência mesmo? Agora que deixou de ser professora?                 Essa pergunta feita pelo terapeuta, foi como uma boa puxada de tapete.               Quem eu mesma sou? A perturbação me acompanhou por semanas.
  •  Até que uma bela recordação de minha infância, clareou minha travessia. Minha transição entre  a  situação ativa profissional para a situação de inativa.
  • RE- CORDA- (A)ÇÃO
  • A palavra recordação remete a rever; puxar a corda, o fio da meada das ações passadas.
  • Contei ao meu filho uma das experiências mais belas que tive na minha formação de leitora. Vivi minha infância na região rural. Num pequeno lugarejo. Poucos vizinhos. O armazém, também chamado de Bodega. A igreja católica. A usina hidrelétrica . A escola. Quando criança a achava enorme. Quando adulta, a reconheço como um prédio pequeno. No entanto, nunca deixou de ser “grandiosa de importância “na minha vida de leitora e …escriba!
  • Era 1968. ( o ano que não terminou… eita história do Brasil) Período forte da ditadura militar.
  • Mas em 1968, tinha oito anos. E apenas uma menina da roça , sem livros, pouquíssimos materiais de escola, como se denominavam os atuais materiais pedagógicos infinitos de hoje. Lembro que ganhava uma caixinha de lápis de cor com seis lápis, somente as cores primárias. Quando, finalmente , ganhei uma caixa de lápis de cor com doze unidades, foi uma alegria imensa. Com ela, meu primeiro caderno de desenho, sem linhas. Remete- me à lembrança até o cheiro daquele caderno.
  • Oito anos, 2º ano.  Poucos livros, ou nenhum. E não alfabetizada. Método fônico. Cartilha com pouquíssimos textos. Da turminha, eu e mais uma colega não conseguíamos juntar as letras e formar palavras. O que eram palavras?
  • Ah! As palavras. The  word… Essências.
  • Num determinado dia, a professora apresentou-nos um texto…enorme! Entrei em pânico diante de tantas letras…minha coleguinha Alvori também.
  • Veio a tarefa. Treinar a leitura. E até ao meio dia passar pelo exame de leitura. NÃO lembro de um tempo passar tão rápido na minha vida. Chegou minha vez do tal de exame.Éramos conduzidos à sala da coordenação.
  • Nessa sala, havia um birô de madeira com a tampa forrada com um plástico de florzinha, e o fundo azul. Plástico. Nada de papel contáctil ou envelopamentos de hoje. Na lateral, uma estante de livros. Feita com tijolos de quatro furos, cuidadosamente pintados de branco e sob eles tábuas também pintadas com o mesmo zelo. Formando três prateleiras. De livros. Não de pratos. (olha a palavra e sua essência) Cheinha de livros. Que tesouros.                                       Pra mim, naquela época, lugar de diferentes sentimentos: medo, susto, insegurança, mas de encanto. Tudo cheirava bem ali. Suave cheiro de talco. O perfume da professora, certamente.
  • Não li nada no exame. Só via um montão de letras na minha frente.
  • Alvori também voltou para a sala de aula com uma cara de fracassada.
  • Todos os colegas forma liberados. Menos eu e a Alvori.
  • E a professora profetizou:  Marta e Alvori ficam até apresentarem uma boa leitura do texto do exame.
  • Os colegas foram liberados. Era meio dia.
  • Alvori, que morava alguns quilômetros da escola,  vinha montado num belo cavalo. Começou argumentar fortemente :
  • __ Meu cavalo vai morrer de fome e de sede! Não posso ficar…
  • Ia até a janela e mostrava o cavalo amarrado numa árvore.
  • _  Veja, professora, ele não aguenta mais.
  • Irredutível, a professora saiu da sala e nos desafiou:  _ Quando voltar aqui, vocês duas, deverão ler o texto.
  • Começamos a decifração. E a fome pegando… e o medo de atrasar muito para retornar para casa. Como explicar o atraso?
  • Tentamos descobrir o que dizia no título. Deciframos. Pensa na alegria. Seríamos libertas.
  • O cavalo também. Beberia água. Comeria seu pasto livremente.
  • E nós? Alvori não sei. Mas eu descobri as palavras. Com elas, minha liberdade.
  • O texto era de Mário Quintana. O peixinho.
  • Choramos quando enfim, lemos e descobrimos com a ajuda da professora, é claro, que o peixinho morreu afogado.
  • Não aceitei o final da história. Como pode um peixinho morrer afogado!Bem mais tarde, compreendi que a literatura ficcional se mistura com a real. Como matam peixes!!!!
  • A inquietude sobre a morte do peixinho que morreu afogado moveu-me para desbravar as histórias que os livros contam. Fui liberada para casa, eu e a Alvori. E mais seu lindo cavalo.
  • Libertos. Eu para o mundo das palavras. Li  e reli todos os livros daquela enigmática estante de livros.
  • Aos poucos, fui conhecendo José de Alencar. Cecília Meireles. Olavo Bilac. José Mauro de Vasconcelos. Monteiro Lobato. Machado de Assis. Maria José Dupré.
  • Jorge Amado…Era de fato uma estante de luxo!!! A maior riqueza da minha infância e adolescência.
  • Décadas depois conheci Michel  Foucault, o historiador de ideias.
  • Reconheço-me pela a história da palavra e seus movimentos. EIS A MINHA ESSÊNCIA.
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Reação

As esperas da vida!

14 de fevereiro de 2020 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Achei interessante a transitividade do verbo esperar.

Pode ser transitivo direto. Pode ser transitivo indireto. Pode ser intransitivo.

Ah, os verbos. A partir deles vem a vida.

Esperei o ônibus. Transitivo direto. Fiquei no ponto de ônibus, com a CERTEZA que o ônibus viria.

Em  ” o que você espera de mim ?” Transitivo indireto. A certeza da presença do objeto indireto e INCERTEZA sobre o que se espera.

Em ” Não posso esperar para sempre.” Intransitivo. o ” para sempre ” não é complemento, é acessório. Marca tempo. Para sempre, imprime um certo ponto final. Como todos os verbos intransitivos. Sem necessidade de mais explicações.

Para usar expressão bem contemporânea: ” Tipo, deu. Acabou.”

Depende do que você espera.

Sobre esperar pela pessoa certa…Pode apostar, quando você menos esperar, a pessoa certa virá…Acredite: existe alguém lá fora esperando para mover o mundo para te amar…Não é melhor esperar por algo que valha a pena ao invés de se machucar com os enganos?

“Pelo amor, eu vou sempre esperar”. Ordem indireta  da frase ratifica o que significa essa espera.

A vida é cheia de esperas.

Espera-se nove meses para nascer. Poucos seres vivos esperam  tanto tempo para nascer.

Espera-se que o bebê fale, caminhe…passe a primeira infância…a adolescência  … chegue à fase adulta…

Espera-se pelo primeiro dia de aula…pelo primeiro emprego… pela carreira profissional, pela carteira de motorista, pela primeira viagem…( NÃO precisa ser para a disney…)Espera-se o semáforo abrir…o banco abrir… O timão ganhar..

StockSnap

A colheita chegar…Espera-se pelo fim do mês.. pelo fim do ano…pelo fim do empréstimo… da prestação… Espera-se pela aposentadoria…

Espera-se o trem, o táxi, o ônibus, o avião…

Espera-se que os internautas visualizem, comentem, compartilhem suas postagens…

Espera-se  que o sistema político mude…que a economia mude….

Espera-se.

Espera-se em Deus. Só não vale esperar parado com as mãos no bolso.

Nesse momento, o que você está esperando?

Eu, sinceramente, espero que você leia até aqui…e espere o próximo post!

 

 

 

 

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