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Ditos e Não Ditos - By Martinha de Fátima Borba
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Os poemas. O segundo olhar.

17 de janeiro de 2026 by Marta de Fátima Borba 1 comentário

Os poemas são pássaros que chegam

não se sabe de onde e pousam

no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam voo

como de um alçapão.

Eles não tem pouso nem porto.

alimentam-se um instante  em cada par de mãos

e partem.

E olhas, então, essas tuas mãos vazias,

no maravilhado espanto de saberes

que o alimento deles já estava em ti…

MÁRIO QUINTANA – POETA GAÚCHO

henry51055 /

Tempo de Leitura: 1 min
Cala Boca Não Morreu

Divando aos 78 anos de idade

12 de janeiro de 2026 by Marta de Fátima Borba 1 comentário

Ela nunca havia assistido um filme até o final, nunca tinha ido ao cinema.

Uma mulher nordestina, costureira, artesã. E agora atriz.

Tãnia Maria, seu nome artístico, virou revelação do cinema brasileiro.

Agora, conhecida por atriz brasileira, com filme premiado, como melhor filme de Língua não inglesa, no festival globo de ouro, a apresentação da mulher Sebastiana Maria de Medeiros Filha mudou, natural de Parelhas,cidade do interior do Rio Grande do Norte, passa ser denominada atriz Tânia Maria, costureira, artesã e tudo mais o que ela quiser ser.

Tânia Maria!

Milhares de Tânias Marias há nesse chão brasileiro.

Brasileiras com potencial , com habilidades e competências  negligenciadas pela falta de oportunidades reais de desenvolvimento pessoal.

O país perde sua maior riqueza,que é o capital humano, quando governos não aplicam os recursos financeiros na educação.

Há intencionalidade.

Sempre foi  a intenção de manter o povo longe dos bens culturais.

Salas de cinemas são inexistentes nas maiorias das cidades.

No contexto atual, há um agravante, uma parcela bem significativa do povo, nega a cultura como um bem necessário para formação de crianças e  de jovens.

A cultura é coisa satânica. Afastem se da literatura! Queimem livros ! Quebrem o aparelho de TV!

Recentemente, assistia culto evangélico, quando o pastor passou a criticar leituras, fora  leitura bíblica, começou citando Paulo Freire e interpelou seu filho, na assistência, para que citasse outros, o que ele fez, citou Augusto Cury, Karl Marx…

Entendi o recado.

Não foi de Deus.

E os exemplos de ataque aos artistas engajados com a cultura libertária, de consciência de classe social estão explícitos nas mídias digitais.

Precisamos multiplicar Tânia Maria. Wagner Moura. Cineasta Kleber Mendonça Filho…

O cinema é memória.

O cinema é história.

O cinema é resistência.

A arte liberta.

Voa deusa Tânia Maria. Divando aos 78 anos!!!

 

Tempo de Leitura: 1 min
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“Eu vou ai e te charqueio.” “Ajoelha e chora “

5 de janeiro de 2026 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Charque ? No contexto brasileiro quer dizer carne seca, jabar ou carne de sol.

A técnica consiste em salgar  e empilhar ou dispor ao sol para desidratar, assim, se conserva por bastante tempo a carne bovina para consumo.

Para o preparo é necessário ferver bastante para retirar o excesso de sal.

Charquear é cortar a carne dividir em pedaços, salgar , secar ao sol e por último dessalgar em água fervente.

Buenas, quando ouço um homem gritar com uma mulher:

-Eu vou ai e te charqueio !!!!

A descrição que fiz acerca do preparo da carne de sol vem imediatamente à memória.

É isso. A mulher para esse homem merece ser cortada, salgada, fervida, queimada, secada ao sol, arrastada…mutilada…morta.

Os fatos, estatisticamente , revelam essas atrocidades praticadas pelo crime de feminicídio no Brasil.

Ah, mas é só uma expressão dita numa DR.

Ah, a letra da música não tem semântica de violência!!!

E assim o imaginário dos ditos patriarcais se perpetuam.

” agora, tu vai ver “marvada”

tava cansado de me fazer de bonzinho

te chamando de benzinho e de patroa

esta marvada me usava e me esnobava

e judiava muito de minha pessoa

endureci e resolvi bancar o machão

ai ficou bem bom agora é do meu jeito

de hoje em diante sempre que eu te chamar

acho bom você se”ajoeia”  e me trata com respeito

ajoelha e chora ajoelha e chora

quanto mais eu passo o laço, muito mais ela me adora

ajoelha e chora, oi, ajoelha e chora

quanto mais eu passo o laço, muito mais ela me adora

mas o efeito de remédio que eu dei

foi melhor do que eu pensei, ela faz o que eu quiser

me lava a roupa, lava os pratos e cuida DOS FILHOS

anda nos trilhos, garro preço essa muié

faz cafuné, me abraça com carinho

me chama de docinho, comecei a me preocupar

eu to achando que esta mulher danada

ficou mal acostumada e tá gostando de apanhar

ajoelha e chora, ajoelha e chora

quanto mais eu passo o laço mais ela me adora…

Senti náuseas ao digitar essa letra de música estilo gauchesca.

Apologia explícita à violência feminina.

Em tempos de rever discursos misóginos, essa letra e música, já passou da hora do ministério público, das delegacias de mulheres tomarem uma atitude.

A música é arte. Deve  estar a serviço do bem estar social.

Não é arte quando ratifica comportamento social violento.

O pulso ainda pulsa.

O pensamento ainda pensa.

Fica o convite, pense!!!

 

Tempo de Leitura: 2 min
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