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Ditos e Não Ditos - By Martinha de Fátima Borba
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Dizer é diferente de falar.

9 de outubro de 2021 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

“Não calar nunca, nem fazer calar” foi o lema da minha turma de formandos do curso de Letras, no ano de 1984.

1884, o ano das diretas já!! O Brasil buscava sair do braço forte da ditadura militar.

Foi um movimento popular. Teve a duração de março de 1983 até abril de 1984. Um movimento que buscou a retomada das eleições diretas para presidente do país.

A eleição direta foi carro chefe do movimento. Mas se queria muito mais que a eleição, porque eleição não é garantia de democracia. A história vem provando isso. Havia o desejo de dizer.

As décadas de 80 e 90 foram as décadas da  luta pela liberdade de expressão. Anos de muita criatividade na arte, na música, na literatura.Ops! Não nos enganemos. A supremacia branca, por exemplo, perdurou. Ainda muitas vozes de brasileiros e brasileiras continuaram caladas. Sufocadas…muita  luta pelos direitos, entre eles, o direito de  dizer.

Dizer é diferente de falar. Falar todos falam, de alguma maneira falam.

Dizer requer um sujeito histórico. Que utilize os códigos da língua, transforme -os em linguagem que por sua vez se forme através do pensamento, que depende do lugar onde está o sujeito. Vai dizer conforme sua  formação histórica.Recordo um pensamento de MIKHAIL BAKHTIN ‘ o que ocorre, de fato, é que , quando me  olho no espelho, em meus olhos olham olhos alheios; quando me olho no espelho não vejo o mundo com meus próprios olhos desde o meu interior; vejo a mim mesmo com os olhos do mundo – estou possuído pelo outro..” DIZER, portanto não é uma ação individual, embora pareça. Observo que:

Se a formação do sujeito for libertadora, o dizer será de paz e de justiça.

Se a formação do sujeito for autoritária, o dizer será certamente de preconceito e de ódio. Todavia,todo dizer jamais será um dizer neutro. Pois conforme Bakhtin o signo é ideológico.

Hoje, com o advento dos canais digitais, o dizer democratizou-se.

Ao mesmo tempo que a comunicação ficou linear, o dizer ocupou um lugar que metaforicamente se assemelha a uma pedra solta na beira de um abismo. O dizer ficou perigoso por demais.

Se ele sempre teve como premissas a responsabilidade e o compromisso com a verdade , agora então se o sujeito histórico quiser um lugar para se auto afirmar no seu direito de dizer , precisa deixar de ser papagaio repetidor , ou melhor parar de ser ” a tia do zap”     responsável pelo compartilhamento de grande parte de fake news, o que não deixa de ser a falação a que me refiro aqui. DIZER, requer antes de mais nada respeito.

Concluo, com a remissão ao lema de 84. não calar jamais, nem fazer calar, sugiro  no contexto atual, calar sim!! Se for para negar a ciência, não diga nada. Esse dizer é apenas uma fala ao vento.                                  Mas não será necessário calar nem fazer calar, se teu dizer vier recheado de bem querer ao outro…

markusspiske / 

 

 

 

 

Tempo de Leitura: 2 min
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“Se as flores se misturam nos canteiros…os ideais também podem se misturar”

1 de outubro de 2021 by Marta de Fátima Borba 3 Comentários

ilyessuti

Ao cuidar de meu jardim, contemplei a mistura natural das plantas, algumas ostentando seus tons de verde, outras florindo com diferentes matizes, disputam espaço para brilhar, mas uma não abafa a outra . Todas acham um jeitinho de aparecer aos olhos dos passantes.

Ao pensar sobre as flores do meu jardim e, como elas “se comportam” nos canteiros, atraí para meus pensamentos a música de Marie Gabriella, composição de Leandro de Abreu Moreira, que chegou até mim através de um grupo terapêutico.

Acredito muito que o pensamento é imã para tudo o que nos acontece .

Alguns atribuem à inteligencia artificial esses eventos correlatos e simultâneos que ocorrem conosco. Já outros atribuem à física quântica. Seja o que for que   os leitores credenciem para o evento que ocorreu comigo, pensar no canteiro de flores misturadas e em seguida chegar a mensagem com a música de Marie Gabriella que se intitula Gratidão- eu agradeço, é válido.

Eis alguns versos:

Se as flores se misturam nos canteiros

Os ideais podem também se misturar

Se as cores se complementam nos desenhos

As diferenças podem se complementar…

É de tolerância o tema dos versos acima. E de respeito também.

No Brasil do momento, no seu enorme canteiro parece que os espinhos estão predominantes .

Eu sei. Sempre existiram. Para mostrar que há lugar para todos os diferentes.

Mas não ao ponto de sufocar os brotos, as flores e os frutos.

Quando um mandatário maior de uma nação diz preferir fuzil a feijão, as plantas tendem a secar.

Se o fuzil é prioridade, os brotos não vingarão.

Fuzis, igualmente a espinhos, não podem ser prioridades.

Ambos abafam o broto da vida.

O primeiro extermina. O segundo traz o alerta: viver é perigoso.

Entre fuzis, espinhos há brotos, flores e frutos.

Há quem opte pelo primeiro grupo. E ache normal um menino manusear um fuzil.

Felizmente, há muitos jardins com brotos, flores e frutos. Eu opto por esse segundo grupo. Finalizo com outros versos da canção:

“Não há melhor, não há grande nem pequeno

o que há é muito o que trabalhar

cada um fazendo o seu direito

só alegria e beleza vão brotar.”

FLORES SIM!!! ARMAS NÃO !!! Que os ideais promotores da paz se misturem.

Tempo de Leitura: 1 min
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Quem tem limite é município.

27 de setembro de 2021 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Quem tem limite é município.

Os munícipes não. Palavra arcaica. Mas limite não é arcaico.

Essa frase chegou até mim numa inscrição de copo de festa.

Festa sem limites.

Sem limites para a alegria, para o abraço, para o bem querer.

A frase é emblemática para a festa. É emblemática para a vida.

Refleti sobre ela. A intenção da frase impressa num copo destinado para bebidas numa festa não tem nada de informação implícita. A mensagem é para beber. Beber sem limite.

Outras intenções são secundárias ou paralelas ao ato de beber. Sem limites. Só quem tem é município.

Deixando de lado a festa. Sem limites. Direciono o pensar para o contexto mundial.

O corona vírus não respeitou limites nem de municípios, nem de estados, nem de países e nenhum continente.

Não houve barreiras sanitárias que não tenha conseguido ultrapassar. Colocou cientistas trabalhar sem limite de tempo para produzir  a vacina capaz de freá-lo.

O sem limite do ser humano criou o vírus sem limite.

O sem limite do ser que se intitula de racional intensificou-se.

Criou mentiras. Espalhou-as sem limites através das ferramentas digitais.

Aumentou lucros sem limites.

Aumentou a fome sem limites.

Aumentou a descrença na ciência. Apagou luzes da filosofia. Obscurantismo sem limites.

Aumentou sem limites a descrença na política. Com a intenção de não mexer no sistema corrupto e nefasto que está arraigado em todos os sistemas de governo. Para que o povo” não queira ” esse poder.

O povo tem que ter limites!!  Não pode se manifestar nas instâncias dos eleitos.

  • Tenha limite, professora!
  • Se quiser falar, se eleja vereador.
  • Deputada, a descontrolada. Tenha limites.
  • Mulher não pode saber mais que seu marido. ( 1600? Não. 2021.)

Esquecem, os delimitadores, que vamos além da frase do copinho.

Ficamos ébrios por algum tempo.

Mas aos que querem delimitar além dos municípios, fica o alerta:

O limite para quem tem fome não existe.

Para a  fome que dói o estômago.Para a fome que corrói a alma.

Não tem limite o desejo de revolucionar. Basta mudar o marco limítrofe!!!

E brindar com o copinho ai…..

 

Tempo de Leitura: 1 min
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