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Ditos e Não Ditos - By Martinha de Fátima Borba
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Ação Política Pedagógica•Sem categoria

A Doutrina do Encantamento

7 de novembro de 2021 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

O que é o encanto? Do latim  INCANTARE,  lançar um feitiço contra alguém, formado por prefixo in  em mais cantare,  cantar no sentido de emitir palavras mágicas. Com o tempo, mudou um pouco de sentido e passou para o sentido de seduzir, maravilhar.

Encantar, o poder de enfeitiçar.

Lembro-me de um colega professor que me questionou sobre a ideia de que o ato de ensinar e aprender é, antes de mais nada é um ato de encantar.

Ironicamente, questionava: – Então, o professor é um mero encantador, a ciência não importa, a cognição não importa. Aprende-se os truques dos mágicos e pronto, tornamo nos professores!!!                                  Vivi muito tempo intrigada com esse questionamento.

Ao mesmo tempo, não abandonei a ideia.

Baseada na minha história de encantamento pela leitura, sigo dizendo que o professor é sim, um encantador de ideias e.. ideais!!!

Muita na moda nos chamarem de doutrinadores. Não é doutrina. É encantamento.

O que seria de nós, humanos, sem a energia elétrica? Tomás Edson se encantou com sua lâmpada elétrica!!

O 14 BIS de Santos Dumont criou o encanto que é poder voar acima das nuvens!!!

E o que é o encanto pelo telefone? Graças ao encantamento de Graham Bell, hoje há tecnologia 5G !!!!

A lista é infinita de encantamentos por tudo que nos rodeia e que veio da dedicação obstinada de homens e mulheres na história toda.

Recentemente a cientista brasileira Jaqueline Góes de Jesus mapeou em 48 horas os primeiros genomas do coronavírus, foi momento de encanto. A ciência é um encanto.

Encanto pela vida.

Há alguns dias ouvi relato de ex aluna do ensino fundamental, agora aluna do ensino médio:

– Me encantei pelo magistério!!! Os professores do curso ensinam os encantos da vida.

É  outra professora que se formará no princípio do ensinar encantando.

O magistério é sim, a doutrina do encantamento.

Quer queiram ou não, os fascistas de plantão, seguimos a doutrina do encantamento.

Afinal, “o Ivo viu a greve” pelo encanto do grande  poeta Lêdo Ivo.

Afinal, a cantora sertaneja Marília cantou encantando a mulherada: SUPERA!!!

Afinal, a  ativista austríaca Greta encantou o mundo com o puxão de orelha aos líderes mundiais: -Parem de incendiar o planeta!!!

Que bom! Como há doutrina do encanto por todos os cantos.

A doutrina do encantamento é resistência!!!

Tempo de Leitura: 2 min
Vozes

O Casaco Vermelho

1 de novembro de 2021 by Marta de Fátima Borba 3 Comentários

 

O casaco vermelho é, nesse post,  o protagonista que revela uma história,  digamos, vermelha!

1970 era o ano. Eu tinha dez anos.

Inicio da mecanização das lavouras no Rio Grande do Sul.

Meu pai continuava com o plantio manual. Dedicava-se a remover as pedras de uma parte da lavoura, formando taipas e preparando o solo para ser arado com trator e poder mais tarde colher com colheitadeira. Em 1972,  comprou financiado pelo Banco do Brasil uma trilhadeira a “vencetudo” da SLC.

Foi a sensação! Vi o contentamento de meus pais e irmãos. Enfim, uma máquina para a lavoura . Esperança de obter um pouco mais de lucro com a colheita.

AH, as colheitas! Na época, a classificação do trabalhador rural da nossa região era o pequeno agricultor e e o granjeiro forte . Meu pai pertencia ao primeiro grupo. Cercado pelos lindeiros do segundo grupo. Portanto, dependia muito do maquinário deles. Precisava esperar o granjeiro colher toda sua lavoura para depois  colher a lavoura dos  pequenos agricultores. A espera era angustiante.

Presenciei muitas vezes a angústia de meu pai na iminência de perder seu produto, devido às chuvas e às enchentes frequentes. Os grãos apodreciam. As colheitadeiras, nem sempre reguladas, colhiam impurezas junto com os grãos.

As tais impurezas nos grãos era a dor de cabeça de meu pai , quando finalmente conseguia entregar a produção para dois grandes compradores, os únicos da região, temia o desconto das tais IMPUREZAS. Era o cartel do grão. Bem mais tarde surgiram as cooperativas. Rompeu o cartel. Hehehehe… criou-se outro!!!

IMPUREZAS? São elas, que farão o leitor  encontrar, nesse post, enfim, o casaco vermelho!

Terminada a colheita, produto entregue .  Meu pai ia a cavalo até o vilarejo, ou por vezes, ia de carroça puxado por dois cavalos,assim era possível levar meu irmão , que ia bem faceiro para a vila, onde ficava a loja comercial ltda. Trazia de lá, lata de querosene, saco de farinha, de açúcar e rolos de tecidos , que eram transformados em camisas pelas mãos de fada da irmã costureira.

Desta feita, volta ele com pouca coisa na mala de garupa. Cinco quilos de açúcar e um embrulho pequeno.

Sentou-se num banco rústico, que ele se dizia dono, esse é meu banco! Na sua ausência, disputávamos o assento. Lembro-me do seu rosto, nessa oportunidade, mais sério do que do costume, chamou me para seu colo. Corri faceirinha ao encontro do embrulho que ele me estendia. Abri. Era um tecido de lã,  vermelho. Aos meus olhos, pareceu vermelho brilhante.

_ É para você ! A Terezinha vai costurar um casaco bem chique!Vai precisar de forro, mas  ela ajeita um. Minha irmã Terezinha fez o casaco. O melhor casaco que já vesti em toda minha vida. O casaco vermelho.

Ouvi quando meu pai disse para minha mãe:

_ Acertei lá. Deu muita impureza nas sementes. Fiquei devendo. Trouxe o açúcar e o tecido para o casaco da Marta.

Meu pai ficou no vermelho, mas assegurou minha alegria e o abrigo para os dias de frio com o casaco vermelho. Usei-o, até as mangas encurtarem e os braços alongarem. Alongada, ficou também minha consciência.

O casaco vermelho me proporcionou a primeira tomada de consciência de classe.

A partir daí, descobri que há mais impurezas nesse mundo que se possa imaginar. Principalmente na vida dos trabalhadores desse país!

 

 

Tempo de Leitura: 2 min
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Sabiá sabe assobiar. Sábio? Sabido? Sabedor?

25 de outubro de 2021 by Marta de Fátima Borba Nenhum comentário

Hoje, é a última segunda feira do mês de outubro. Ano 2021.

Lindo dia. Ensolarado. Período das primaveras.

Primaveras. É além da estação denominada Primavera.

Primaveras a que me reporto é o fato de sermos resilientes.

Recebemos cortes mas continuamos brotando. Igual à planta primavera, quanto mais a cortamos mais ela brota linda e  viçosa.

Somos primaveras. Produzimos flores e frutos.

Pena que aprendemos armazenar, vender, exportar. Tudo. Quase tudo.

Quase tudo, porque pelas terras  do imperador ficam as patas galináceas e os ossos. Ossos !!!! Nem esses somos capazes de compartilhar. Vendemos.

A colheita dos frutos da terra, como ela própria, deveria ser compartilhada. Não é. Há cerca de arame farpado por todos os lados.

Mas apesar das cercas, dos muros que os humanos aprenderam edificar para separar, para segregar, há sempre quem solta o grito. E anuncia outros caminhos. Brotamos. O pássaro sabiá  sabe disso.

E as primaveras vão acontecendo. Primeiro como esperança.  Depois  em sonhos realizados. Sempre BROTAMOS. Só não podemos esquecer de espalhar as sementes. Boas sementes para bons frutos.

O pássaro sabiá sabe disso.

Nesta linda manhã primaveril, fiquei por longo tempo ouvindo o canto do sabiá,  o pássaro que canta o amor pela primavera, já foi inspiração de muitos  poetas, entre eles, Gonçalves  Dias na Canção do Exílio, inspiração para a canção Sua majestade, o sabiá de Roberta Miranda e hoje, é a inspiração desse post.

O sabiá é uma paixão nacional. Recebe  diferentes nomes conforme o estado brasileiro, aqui no sul é sabiá -laranjeira.

Ele é nativo da Argentina, da Bolívia.do Paraguai e do Uruguai. É um pássaro latino. Macho e fêmea cantam. O macho para encantar sua amada. A fêmea para anunciar que as flores chegaram e  logo virão os frutos. E que há filhotes a caminho.

Ambos cuidam de sua família.

O som de seus trinados parece muito com o som de flauta doce. Porém, são bons compositores e que dependendo da linhagem geográfica seus cantos são diferentes. Nenhum pássaro da espécie canta exatamente como o outro.

Nenhum canto igual. Mas a intenção é a mesma.

Fiquei pensando nos travas- língua : o sabiá não sabia que o sábio sabia que o sabiá não sabia assobiar e também: sabendo o que sei e sabendo o que sabes e o que não sabes e o que não sabemos, ambos saberemos se somos sábios, sabidos ou simplesmente saberemos se somos sabedores.

Quem somos ?

Sábios ?  Sabidos? Sabedores ?

O sabiá sabe assobiar. Sei, que ele, é sábio.

E nós ? Quando vamos aprender assobiar com a mesma intenção?

#américalatinalivre   Um canto antigo da linhagem latina.

 

 

 

 

 

 

Tempo de Leitura: 2 min
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